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Concepção Pedagógica |
Concepção Pedagógica
O material didático Dom Bosco baseia-se em três perspectivas teórico-metodológicas contemporâneas:
* Interacionismo
* Interdisciplinaridade
* Pensamento complexo.
NTERACIONISMO E SUAS IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS
O interacionismo é uma concepção que prioriza a análise dos reflexos do mundo exterior no interior dos indivíduos, pela interação deles com a realidade. Trata-se,portanto, de uma visão sociocultural. O objeto de estudo de Vygotsky, criador dessa concepção, era o desenvolvimento humano mediante processo histórico do indivíduo. Este, para constituir-se como pessoa, precisa inserir-se em determinado ambiente cultural.
As mudanças que nele ocorrem estão ligadas à sua interação com a cultura e a história da sociedade da qual faz parte. Por isso, de acordo com os conceitos desenvolvidos por esse estudioso, o aprendizado envolve sempre a interação com outros indivíduos e a interferência direta ou indireta deles. Formado em Letras e Psicologia, Vygotsky considerou a linguagem como elemento principal de mediação entre as relações sociais e a aprendizagem. Seu papel é definitivo na organização do raciocínio, agindo sobre ele e reestruturando funções psicológicas como atenção, memória e formação de conceitos.
Propor a aprendizagem como ato de interação implica considerar o material didático como recurso inacabado que viabiliza a construção coletiva de professor e aluno. Do primeiro, cujo papel de mediador e promotor de seqüências didáticas eficazes de ensino, faz-se necessária, entre outras contribuições, sua consciência do contexto de aprendizagem em que se
insere; o segundo contribui com suas funções cognitivas e afetivas para construir os próprios conhecimentos, por meio das relações intra e interpessoais. Por meio da troca com outros sujeitos e consigo próprio, ele internaliza saberes, papéis e funções sociais.
Assim, embora o material didático Dom Bosco apresente propostas de seqüências didáticas para o ensino dos mais diferentes conteúdos, cada professor precisa reorganizar as experiências, levando em conta o quanto de colaboração os alunos ainda necessitam para produzir determinadas atividades de forma independente.
PRINCÍPIO DA INTERDISCIPLINARIDADE
O princípio da interdisciplinaridade fundamenta-se no esforço para superar a visão fragmentada do conhecimento.
Embora seja apreendido individualmente, o saber é uma totalidade. O todo é formado pelas partes, mas não implica apenas a soma delas; é maior que elas. Assim, a natureza complexa do próprio ato educativo exige explicação e compreensão pluridisciplinares.
Conforme Ivani Fazenda (1992), estudiosa que mais se tem dedicado ao tema no Brasil, interdisciplinaridade é ação que transforma e constrói o novo.
... atitude interdisciplinar, uma atitude frente a alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera frente aos atos não-consumados, atitude de reciprocidade que impele à troca, ao diálogo com pares anônimos ou consigo mesmo, atitude de humildade frente à limitação do próprio saber, atitude de perplexidade frente à possibilidade de desvendar novos saberes, frente ao novo, desafio de redimensionar o velho, atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas...
Percebe-se nessa descrição que o princípio da interdisciplinaridade é compreensão e vivência do movimento dialético entre o velho conteúdo fragmentado pela disciplina ou esse mesmo conteúdo contextualizado e interligado a outros, sob forma de projeto, e proposto numa produção interdisciplinar. São as novas possibilidades de trabalho docente que provocam novas sínteses numa constante dialética.
Outro aspecto para a metodologia do trabalho interdisciplinar implica superar a dicotomia entre ensino e pesquisa, visando a valorizar a relação direta e pessoal com a aquisição do saber. Dessa forma, o enfoque é dado ao ensinar a aprender, estudar, pensar. Nesse sentido, destacamos a importância de o educando exercitar-se no uso das linguagens múltiplas e suas novas tecnologias, para posicionar-se diante da informação e interagir com o meio físico e social.
PENSAMENTO COMPLEXO
A complexidade não é um conceito teórico, mas um fato da vida, pois a experiência humana é um todo biopsicossocial, em que primeiro se percebe o mundo; essa percepção gera sentimentos e emoções, os quais, na seqüência, determinam o comportamento do indivíduo no cotidiano. Segundo autores como Maturana (1999) e Mariotti (2000), a complexidade corresponde à multiplicidade e à contínua interação de sistemas e fenômenos que constituem o mundo natural. Há sistemas complexos no interior do ser humano e, ao mesmo tempo, ele está inserido em sistemas complexos, sendo prioritário entendê-los para conviver com eles.Por outro lado, a escola tem longa tradição de ensino, pautada no pensamento linear e reducionista, que se traduz pelas explicações simplistas ou mesmo incompletas, centradas em regras rígidas e fechadas.
Trata-se de um modelo mental cartesiano e racional, indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos, abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia, mas insuficiente para resolver problemas humanos dos quais participem emoções e sentimentos.
O modo como o indivíduo seja educado a pensar ou como sua cultura o torne propenso a pensar determina as práticas do dia-a-dia, tanto no plano individual quanto social. Há predominância do modelo mental linear em nossa cultura, daí ter sido questionado nos últimos anos. Em contrapartida, o pensamento sistêmico, que representa a compreensão da complexidade
do mundo natural e sua interdependência, pode também ser insuficiente quando se apresenta de forma isolada. Por essa razão, a proposta básica do modelo de pensamento complexo é a visão de equilíbrio entre o pensamento linear e o sistêmico. Segundo Behrens (2004), ela se traduz pelo equilíbrio entre os seguintes pontos: razão e intuição, indivíduo e grupo, conteúdos e processos, conhecimento e imaginação, quantidade e qualidade, avaliação e aprendizagem.